
Medida da ANA busca preservar o pouco de água que resta
no Rio São Francisco.
A partir do dia 28 de julho, as novas
regras da Agência Nacional de Águas (ANA) entram em vigor para preservar o Rio
São Francisco. As indústrias e mineradoras que captam água acima de 13 horas
por dia, conforme a outorga de direito de uso, deverão reduzir em 14% o volume
mensal captado. Já para as que captam até 13 horas por dia, as captações
ficarão suspensas às quartas-feiras.
De acordo com o presidente do Conselho
Temático do Meio Ambiente da Federação as Indústrias do Estado de Pernambuco
(Fiepe), Anísio Coêlho, o pleito foi atendido, mas de forma parcial.
“O setor tem consciência da importância
de preservação. O caminho é racionalizar e não suspender”, analisou, observando
que algumas empresas vão ficar sem água em período estratégico para a produção.
Gerente executivo da Associação dos
Produtores Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale do São Francisco
(Valexport), Tássio Lustoza, a preocupação é com a qualidade da fruta com a
chegada do Verão. “Haverá uma necessidade maior de água e não teremos”,
lamentou. Porém, acredita, a suspensão pode postergar um estado de seca mais
severa aos produtores locais.
Segundo os empresários, a interrupção
da captação durante 24 horas para indústrias de fluxo contínuo tem uma
complexidade operacional grande, acarretando a paralização das atividades entre
dois e três dias, em média. Os prejuízos, além do volume de produção, impactam
o recolhimento de tributos e sua consequente repercussão nos níveis de emprego
e renda da região.
Entretanto, na outra ponta, o reservatório
de Sobradinho agoniza com apenas 10,87 % da sua capacidade. É dele a
responsabilidade de abastecimento energético do Nordeste. Além da geração de
energia, o reservatório cumpre o papel de regularização dos recursos hídricos
da região, que abrange munícipios como Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).
Operada pela Chesf, a hidrelétrica tem potência instalada de 1.050.300kW e seu
reservatório tem capacidade de armazenamento de 34,1 bilhões de metros cúbicos
– maior da bacia do São Francisco.
“Conforme uma simulação feita pelo ONS
(Operador Nacional do Sistema Elétrico), se os agentes cumprirem com o Dia do
Rio é possível chegarmos sem a necessidade de retirarmos água do volume morto
no período úmido”, disse o diretor de operações da Companhia, João Henrique
Franklin.
Fonte FolhaPE/Foto:
Divulgação
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